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Videochamada: um novo padrão de comunicação nas prisões?

Artigo

Dave Lageweg

A manutenção dos vínculos sociais dos presos é benéfica para todas as partes envolvidas: os encarcerados estabilizam sua saúde emocional; os ambientes de custódia tendem a ser mais pacíficos quando permitem aos detentos contato suficiente e regular com sua família e entes queridos; e, em última análise, as comunidades se tornam mais seguras, mais prósperas, inclusivas e geralmente mais robustas devido ao impacto positivo na reabilitação, bem como nas taxas de reincidência. 

O tema não é novo e se encontra amplamente documentado, mas merece permanecer na agenda e ser ampliado, considerando as novas formas de comunicação permitidas aos presidiários em diferentes jurisdições. 

A pandemia da COVID-19 representou um desafio para os serviços penitenciários. A crise de saúde pública acarretou o distanciamento social e outras restrições, portanto, a maioria das administrações prisionais em todo o mundo tiveram de limitar ou suspender as visitas presenciais. Embora a utilização da chamada de vídeo não tenha sido otimizada por todas as jurisdições antes da COVID, a pandemia aumentou significativamente essa solução de comunicação.

Depois de fornecermos o serviço de telefonia por vídeo da Telio a várias administrações penitenciárias da Europa, em 2021, quisemos saber mais sobre como as famílias dos detentos e a gestão prisional perceberam as vantagens e o impacto da chamada de vídeo. Para isso, encomendamos um estudo ao BSAFE Lab da Universidade da Beira Interior (UBI), de Portugal, para entender o efeito das visitas em vídeo nas prisões. 

As prisões francesas onde a videochamada foi implementada constituíram um “estudo de caso”. Os resultados apontam para uma complementaridade altamente positiva das chamadas de vídeo e muitos benefícios para todas as partes envolvidas na experiência prisional. Foi feita uma pesquisa com uma amostra de familiares sobre a forma como estes perceberam a utilidade das chamadas de vídeo. 

Os resultados falam por si só. A grande maioria (75%) dos parentes que responderam ao estudo disse que as chamadas de vídeo permitiram um contato mais frequente com o preso. Em comparação, as chamadas de voz também fazem isso, mas quase 15% menos!

Todos os entrevistados acham que o contato regular por vídeo com seus entes queridos encarcerados reduziu a angústia do preso. Quase todos os familiares (93%) consideram que as chamadas de vídeo incutem no preso um desejo maior de ser libertado da prisão o mais rápido possível para se reunir com a família. Além disso, 87% dos familiares  acreditam que a videochamada permite que o preso melhore a gestão de sua vida no presídio.

As chamadas telefônicas tradicionais só são consideradas melhores para a regularidade de contato entre a família do detento e seu advogado. Mais de 60% disseram isso, embora 50% também o tenham dito relativamente às videochamadas. O potencial de integração do vídeo em conjunto com a comunicação telefônica tradicional poderia maximizar ainda mais a oportunidade de entrar em contato com entes queridos e representantes, otimizando assim os resultados. 

Além disso, a pesquisa considerou dados estatísticos da plataforma de comunicação, ou seja, dados relacionados a chamadas em mais de 195 instalações em toda a França.

Nesse ponto, há várias observações: o sistema de videoconferência foi gradualmente instalado entre janeiro e julho de 2021; as chamadas de vídeo foram gratuitas até o final de junho e começaram a ser cobradas em julho; tanto as chamadas de vídeo quanto as chamadas telefônicas tradicionais estavam disponíveis em paralelo, e as autoridades prisionais gradualmente reintroduziram visitas presenciais ao longo de 2021.

Em relação às chamadas telefônicas versus videochamadas, a partir da comparação de dados, a pesquisa constatou que entre janeiro e julho de 2021 a duração média de uma chamada telefônica típica foi de aproximadamente seis minutos. Essa duração média mais do que dobrou com a introdução do recurso de vídeo. Portanto, as chamadas de vídeo permitiram mais tempo de contato entre os presos e seus entes queridos. 

Quando as chamadas de vídeo começaram a ser cobradas, a partir de julho de 2021, a duração média das chamadas por mês para cada usuário diminuiu em cerca de 50 minutos. Se até junho o preso tinha tido, por mês, uma média de cerca de 1h30m em chamadas de vídeo no total, a partir de julho o total mensal caiu para 40 minutos.

Por outro lado, as chamadas de vídeo para entes queridos no exterior aumentaram, mesmo após serem cobradas. Em junho de 2021, 16% das chamadas de vídeo foram para contatos no exterior, enquanto entre julho e setembro desse ano, esse dado subiu para 22%.

Patrick Gomez é Diretor de Programas Tecnológicos da Administração Penitenciária Francesa. Em entrevista realizada pela equipe de pesquisa, ele explica que as videochamadas para o exterior tendem a ser mais baratas do que as chamadas telefônicas tradicionais. Assim, a França agora tem usuários frequentes entre a população carcerária que preferem fazer chamadas de vídeo com seus parentes no exterior em vez de telefonemas padrão.

A pandemia acelerou a implantação de chamadas de vídeo nas prisões, complementando as chamadas telefônicas tradicionais. A Telio tem apoiado diferentes administrações prisionais para adaptar e evoluir o sistema de comunicação que já tinham em operação – a França é um desses casos de sucesso. 

O sistema Telio registra todas as interações, independentemente de ser uma chamada de vídeo ou um telefonema tradicional. Assim, as autoridades prisionais supervisionam e controlam totalmente todas as chamadas.

Não existe qualquer especificidade nas chamadas de vídeo que possa interferir no processo já em vigor para a telefonia de voz. Isto é uma vantagem, pois o provedor de tecnologia garante o mesmo nível de segurança de informação e comunicação em ambos os tipos de chamadas.

O Sr. Gomez confirmou que “alguns funcionários imediatamente abraçaram a oportunidade, outros acharam estranho que os presos pudessem fazer videochamadas. Então, tivemos que garantir que se tratasse de uma solução tecnológica projetada especificamente para o ambiente prisional, benéfica e confiável.” 

Este é um ponto crítico; o aspecto de gestão de mudanças precisa de um foco especial para garantir os resultados desejados. A mudança envolve os detentos e seus contatos e, ao mesmo tempo, devemos focar na equipe para que eles entendam os benefícios e garantam a adesão.

Esses benefícios incluem um ambiente de trabalho mais protegido e seguro. Devemos considerar também a gestão de visitas presenciais e as atividades de segurança. Essas poderão sofrer uma redução, e os agentes penitenciários podem então se concentrar em trabalhos de maior valor. De fato, as videovisitas aliviaram o impacto da suspensão de visitação presencial durante a pandemia. O corte nas visitas presenciais gerou muita tensão nas instalações prisionais, principalmente voltada para agentes penitenciários.  .

“Essa solução  aliviou o clima. No final, todas as partes ficaram satisfeitas. Tem sido uma estratégia ‘ganha-ganha’ para os detentos, seus entes queridos e os agentes penitenciários”, destacou o diretor de Programas Tecnológicos do sistema francês. 

Ele acredita que as chamadas de vídeo vieram para ficar, como uma melhoria necessária e complementar à telefonia tradicional. O caminho a seguir será democratizar a solução o máximo possível, para que a maioria dos detentos possa se beneficiar das vantagens das visitas virtuais.

“Vimos até a possibilidade de os detentos se comunicarem com seus filhos sem que estes tenham que vivenciar o ambiente seguro de detenção das unidades penitenciárias. Além disso, em chamadas de vídeo, o preso pode testemunhar o ambiente físico em que os entes queridos estão e vivem. Por exemplo, para ver os animais de estimação da família e detalhes espaciais familiares”. Tais detalhes podem gerar maior proximidade, maior sensação de pertencimento e esperança, que certamente beneficiam todos os que participam da interação.

As videochamadas oferecem uma melhor qualidade de interação quando comparadas às chamadas de voz. Até certo ponto, elas têm o potencial de compensar a ausência de visitas presenciais. Além disso, possibilitam a ampliação do número de vínculos sociais dos presos, há pessoas com quem podem manter ou fortalecer as relações com chamadas de vídeo sem nunca terem uma visita presencial à prisão.

As chamadas de vídeo através do sistema VISIO da Telio são uma nova experiência de comunicação para todos, tanto em casa quanto na prisão. Por isso e por todas as razões mencionadas acima, como a Administração Penitenciária na França, muitas outras agências prisionais estão cada vez mais permitindo chamadas seguras com vídeo aos cidadãos sob custódia.

A videochamada se tornará um novo padrão de comunicação nas prisões? Na Telio, acreditamos genuinamente que sim.

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Dave Lageweg

Como Diretor Comercial, Dave Lageweg apoia a TELIO na sua missão não só como empresa de comunicações, mas também como parceiro essencial de digitalização no sistema prisional global, com soluções que vão desde videochamadas/visitas a serviços digitais com guichês e tablets de autoatendimento, detecção de telefones e de interferência, até às comunicações por voz. A carreira de Dave começou há mais de duas décadas com o Ministério da Justiça e Segurança holandês, e ele sempre esteve ativamente envolvido no apoio aos governos através de soluções tecnológicas. É licenciado em Tecnologia da Informação e Comunicação pela Universidade de Ciências Aplicadas de Amsterdã. 

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