Diretor Geral do Departamento Penitenciário Nacional (DEPEN), Brasil *
JT: A população do Brasil aumentou mais 400 % entre o fim dos anos 90 e a atualidade, tendo passado de menos de 200.000 presos para o atual número que, segundo Fontes do Conselho Nacional de Justiça (CNJ), ultrapassa os 812.000.
Qual tem sido exatamente a função e o alcance de atuação do DEPEN no Brasil, e de que forma é que o que o DEPEN pode apoiar a reforma penitenciária a nível federal e dos estados?
FB: O Departamento Penitenciário Nacional (DEPEN) é vinculado ao Ministério da Justiça e apoia os estados em matérias técnicas de gestão prisional. Também gerimos o fundo penitenciário nacional, que é um fundo público direcionado para investimentos penitenciários. Este fundo é capitalizado com recursos decorrentes de multas penais, de jogos de loteria, entre outros. Nesse contexto, o DEPEN administra e faz distribuição sistemática para todas as unidades da Federação. O DEPEN não administra diretamente as unidades estaduais. O Brasil é uma Federação, que possui 26 estados, que têm os seus sistemas penitenciários próprios. O DEPEN procura unificar e induzir algumas políticas, ajudar os estados, e também ser uma organização de fomento para melhorar o sistema prisional.
O DEPEN atua também em momentos de crise penitenciária. Temos ainda muitos problemas com o controle das unidades prisionais. O Brasil ficou muito tempo sem investir em unidades prisionais de uma maneira sistemática e isso levou a que alguns criminosos se unissem e criassem facções. As principais facções criminosas do Brasil nascem dentro dos cárceres.
Nós trabalhamos também na reposição de controle dessas unidades mais caóticas em coordenação com as unidades da Federação. Sempre que acontece uma crise, como por exemplo, em 2019 no Estado do Amazonas, o DEPEN reuniu agentes prisionais em vários estados para ajudar o estado em questão a superar a crise.
O DEPEN também ajuda a agregar cooperação entre todos os entes federativos para superar crises penitenciárias, decorrentes de um problema histórico de ausência de políticas para melhorar a qualidade do serviço carcerário no Brasil.
Mas também tem uma gestão de presídios federais?
FB: Sim. O DEPEN administra diretamente 5 presídios federais, para onde são enviadas as principais lideranças criminais de todos os estados. Temos um sistema pequeno e qualitativo. Apenas o preso com perfil de líder negativo vai para os cárceres federais. Existem algumas similaridades, por exemplo, com o cárcere Italiano. Este sistema tem ajudado a diminuir a influência das organizações criminosas nos cárceres dos Estados, mas é um processo que vai demorar alguns anos a melhorar, tal como a situação de controle nas unidades prisionais brasileiras.