Transformação digital… “Se quiser ir rápido, vá sozinho, se quiser ir longe, vá acompanhado”

Em conferências, eventos de formação e reuniões, me perguntam frequentemente: “como a inovação pode ocorrer nas prisões?” Minha resposta, independentemente da geografia e do histórico cultural do público, geralmente é a mesma: “… Para levar inovação para o interior, você tem que abrir as portas da prisão!”

A resposta muitas vezes gera perplexidade, surpresa e requer mais explicações. Sim, você está certo! Podemos concordar que inovações incrementais podem ser impulsionadas a partir de dentro com intervenção limitada ou sem intervenção de terceiros, mas é quando as portas das prisões e do sistema prisional são abertas (ao pessoal judicial que trabalha em outros órgãos governamentais, aos profissionais que trabalham em ONGs, especialistas do setor privado, pesquisadores e desenvolvedores de tecnologia) que a inovação, às vezes transformadora, ocorre.

Ao abrir o sistema a pessoas com diferentes experiências, diferentes habilidades e perspectivas, quando lhes é permitido compartilhar e discutir com profissionais, surgem novas ideias, onde “negócios tradicionais” são desafiados, novos processos e formas de organização são considerados e a digitalização é colocada na agenda. 

Entretanto, a transformação digital não deve ser apenas a conexão de diferentes sistemas ou a conversão de processos físicos ou baseados em papel em formulários e fluxos de trabalho baseados na web. Em última análise, é um passo importante para melhorar a eficiência e a eficácia operacional. Deve ser principalmente a oportunidade de questionar a forma como os serviços são prestados e os processos físicos são realizados e de pensar como, através do uso da tecnologia, estes podem ser transformados, substituídos ou mesmo eliminados.

Nesta edição, trazemos a discussão sobre convergência tecnológica e transformação digital, além de entrevistas e casos que mostram como a tecnologia está apoiando os resultados de negócios em diferentes áreas de conhecimento e prática. Também compartilhamos as opiniões e a experiência do Secretário-Geral Adjunto da ONU, ministros e vice-ministros da Justiça, diretores-gerais, desenvolvedores de políticas e representantes de alto nível de organizações multilaterais, especialistas renomados, representantes de ONGs e filantropos, sobre a forma como os sistemas penitenciários estão sendo transformados em todo o mundo.

A implementação de programas de redução da prisão preventiva; a substituição de sentenças curtas e o reforço das medidas comunitárias; a introdução do princípio da normalidade nas prisões; a redução da superlotação; prevenção da radicalização entre jovens e nas prisões; a prevenção da delinquência juvenil na comunidade; a melhoria do bem-estar dos agentes penitenciários; o compartilhamento de conhecimento entre diferentes jurisdições e a padronização de intervenções e práticas comprovadas, são, entre outros temas, abordados na atual edição da Revista JUSTICE TRENDS.

A transformação digital diz respeito à organização e como a tecnologia pode apoiá-la. Requer uma visão de longo prazo, um processo de reflexão estratégica estruturado e uma abordagem de implementação bem projetada focada nos resultados de curto e longo prazo. Como em muitas outras áreas, no sistema prisional, ” reinventar a roda” pode ser uma viagem tortuosa e cara. Cooperar e compartilhar, com jurisdições com desafios semelhantes, pode ser, portanto, um componente fundamental do sucesso.

Aproveite para ler!

Pedro das Neves

Diretor Executivo IPS_Innovative Prison Systems

Diretor da revista JUSTICE TRENDS 

Pedro das Neves

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